30 de agosto de 2013

Nem Batman salva

Por Plácido Vieira Eu temeria pela sorte de Batman se o angustiado super-herói das histórias em quadrinhos decidisse livrar Brasília da criminalidade e da corrupção, atributos que tornam a capital da República tão malvista aos olhos do Brasil quanto a fictícia Gotham City do homem-morcego. Caso se empenhasse numa batalha para livrar o Congresso Nacional de notórios malfeitores, como o deputado federal Natan Donadon, certamente Batman seria derrotado. Nas redes sociais, blogueiros de aluguel acusariam o justiceiro das sombras de golpista e desconstruiriam sua imagem de herói que luta contra o crime. Diriam que veio ao país a serviço do imperialismo americano, mandado pelo opressor governo dos EUA. Nas ruas, manifestantes de aluguel gritariam palavras de ordem impublicáveis. Baderneiros sem noção sairiam a quebrar tudo o que estivesse pela frente. Só, enxovalhado e desmoralizado, Batman bateria em retirada. Afinal, foi ou não esse o recado que o Congresso quis passar a um outro Batman? Ao decidir que Donadon mantém o mandato, mesmo depois de julgado e condenado a 13 anos de prisão pelo Supremo, a mais alta Corte de Justiça do país, os parlamentares estão fazendo uma advertência ao Batman do STF, apelido dado ao presidente do tribunal, Joaquim Barbosa: não somos cidadãos comuns. Nem mesmo quando condenados e trancafiados numa cadeia. É pouco provável, pela excitação de blogueiros "progressistas", que Barbosa triunfe na peleja para que mensaleiros acabem presos. Mas, ainda que, contrariando expectativas dos atuais donos do Brasil, eles sejam mesmo condenados e cumpram pena na Papuda, o recado está dado tanto a Batman quanto ao povo brasileiro: um político corrupto de verdade nunca perde a excelência. É triste ter que admitir, mas Rui Barbosa estava certo: aproxima-se o dia em que pessoas decentes terão vergonha de ser honestas. Fonte: página de opinião do jornal Correio Braziliense de hoje

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