18 de julho de 2009

Red book secrets

As cenas deletadas de Batman Forever (2005) dão uma séria pista de como o filme poderia ter sido diferente, mais dark, o que talvez impedisse a tragédia da sequência Batman & Robin (2007). Tendo o genial Tim Burton como produtor, o primeiro dos dois longas dirigido por Joel Schumacher tinha explorado nas filmagens o lado atormentado da psiqué de Bruce Wayne, para explicar a razão de ele ser Batman eternamente. O papel do Duas Caras no roteiro original teria bem mais peso e assim seria se a edição tivesse sido outra. Desde a cena de abertura com os créditos, vimos mais sombra e um espírito vermelho de vingança movendo heróis e vilões. Harvey Dent escreve na parede de sua cela no Arkham um recado pós-fuga: "O Morcego deve Morrer" ("The bat must die").

A interpretação de Val Kilmer nessas partes apagadas também é convincente, sobretudo na cena em que ele encara o seu pior pesadelo, entrando numa fenda da caverna onde o livro vermelho (red book) do funeral de seus pais caiu, após fugir abraçado com ele. Muitas referências aos quadrinhos. Outro take interessante cortado na pós-produção é o de Bruce dando uma bronca no revoltado Dick Grayson. Se os mandachuvas do estúdio tivessem pensado melhor, talvez tivéssemos um Batman Forever melhor. Mas acabou virando motivo de chacota (mamilos, estética gay, obsessão de um Charada cheio das purpurinas) e da desconfiança do público (Batman começava a rir de si mesmo). As evidências estão todas lá no Youtube e na caixa especial de DVDs como extras. O resultado não foi vermelho, mas verde. Vermelho foi o filme posterior, com a cor de nossas caras envergonhadas.

Um comentário:

Sandro Silva disse...

Se Tim Burton tivesse batido o pé, e o estúdio não interfiresse tanto Batman Eternamente comtinuaria o clima dark dos dois primeiros filmes, um batman até mais introspectivo e justificando sua essência diante dos seus traumas de infância.