11 de julho de 2009

Como ser Batman - 2

Época: 08/09/2008

Apaixonado por quadrinhos, o professor canadense Paul Zehr escreve um livro ensinando como se tornar uma pessoa parecida com o super-herói. Entre as recomendações, treinar ginástica olímpica, artes marciais e decatlo. Para Zehr, o Batman não ganhou super-poderes mirabolantes, mas é preciso ao menos 15 anos de "experiência" para se igualar ao herói. "Ele é apenas um homem muito bem treinado."

Thiago Cid

O canadense Paul Zehr é um apaixonado por quadrinhos e devorou tudo o que existe sobre Batman. Ele não seria mais do que um fã fervoroso se não fosse doutor em neurociências. Zehr decidiu usar seus conhecimentos de neurologia e cinesiologia - a ciência que estuda os movimentos humanos - para escrever o livro Becoming Batman, sobre como se transformar no super-herói. Para o canadense, é possível aproximar-se das habilidades do Cavaleiro das Trevas. "Ele não ganhou super-poderes por meio de mutações, picada de insetos radioativos ou porque nasceu em outro planeta. Ele é apenas um homem muito bem treinado”, diz o pesquisador, que também é professor na Universidade de Victoria, no Canadá.

Na obra, que será lançada em outubro nos Estados Unidos pela editora da Universidade John Hopkins, Zehr especula o que seria necessário para um homem comum se tornar um Batman e conclui que tal façanha é para poucos. “Somente uma pessoa muito especial - com uma predisposição genética específica, acesso a treinamentos adequados, recursos ilimitados para levar os treinamentos adiante e, principalmente, a motivação para ir em frente - conseguiria chegar lá”, afirma. No caso de Batman, a força para persistir foi ter presenciado, aos 13 anos, o assassinato dos próprios pais em Gotham. O evento fatídico levou-o a peregrinar pelo mundo, reunir forças e voltar para limpar a escória da cidade.

O professor joga um balde de água fria em quem esperava um caminho rápido e fácil até a Batcaverna. “Não há como fazer uma lista do tipo 'Transforme-se em Batman em 10 passos simples'”, diz Zehr. Mas ele dá pistas do que faz alguém chegar mais próximo do Cavaleiro das Trevas.

A primeira é se esmerar no treinamento físico. Ele tem que ser intenso para garantir condicionamento para agüentar os trancos que o herói enfrenta diariamente. Um aspirante a Batman precisa ter força e agilidade para fazer movimentos precisos, como uma acrobacia para não despencar do alto de um arranha-céu enquanto não usa uma das bugigangas salvadoras que carrega em seu cinto de utilidades.

“Muitas histórias dizem que o Batman é o melhor em tudo. Ele é o atleta mais bem treinado que existe, mas ele não é o melhor em nada específico - a não ser em ser ele mesmo”, afirma o pesquisador. Segundo Zehr, é fisiologicamente impossível ser o melhor em tudo. É por isso que um campeão dos 100 metros rasos não teria muitas chances de ganhar uma prova de longa distância. As adaptações que o corpo faz para resistir à fadiga da explosão ou de uma maratona são completamente diferentes. O velocista depende de enormes músculos para render 100% por um breve período. O maratonista precisa de músculos menores, mas capazes de render 80% por longos períodos.

Isso significa que, se Batman disputasse uma olimpíada, ele não chegaria em primeiro lugar nem na prova dos 100 metros nem na maratona. Mas seria capaz de obter a segunda colocação nas duas provas.

“Se eu fosse técnico do Batman, ele disputaria o decatlo”, afirma Paul Zehr. Para quem não sabe, o decatlo é uma das provas mais difíceis do atletismo. Realizada em dois dias, a competição, como o nome diz, engloba dez disputas: 100 metros rasos, salto em distância, lançamento de peso, salto em altura, 400 metros rasos, 110 metros com barreiras, lançamento de disco, salto com vara, lançamento de dardo e 1500 metros.

O treinamento pesado provocaria mudanças fisiológicas extremas no corpo do candidato a herói. Os músculos se tornariam mais fortes e contrairiam mais rapidamente. Ele seria capaz de ativar um número maior de músculos e por um tempo superior. Até os ossos se tornariam mais densos e, portanto, menos vulneráveis a fraturas. A realização de exercícios tão extremos levaria, segundo o cientista, de três a cinco anos.

Um comentário:

João da Silva disse...

Tem um texto muito bom na internet onde o autor considera um Batman puramente físico como uma sombra distorcida do original. Essa "sombra" seria o Bane.