27 de maio de 2009

Resenha da bat-enciclopédia

Encomendei esses dias um exemplar desse livro. Preciso dele para minhas pesquisas. Quem dera pudesse fazer nosso dicionário tupiniquim uma publicação atualizada e de qualidade quanto essa outra, importada dos Estados Unidos. Vejam só a sinopse feita por Nobu Chien, do Universo HQ.

Título: THE ESSENTIAL BATMAN ENCYCLOPEDIA (Del Rey/DC Comics) - Livro teórico
Autor: Robert Greenberger.
Preço: US$ 29.95 (R$ 88,95 na Livraria Cultura em 20 de maio de 2009)
Número de páginas: 392
Data de lançamento: 2008

Sinopse: Enciclopédia sobre o Batman com cerca de 1,6 mil verbetes, em formato grande, focada no personagem dos quadrinhos. Provavelmente, a mais completa e atualizada publicação sobre o herói. Positivo/Negativo: Em toda a história da humanidade, não são muitos os personagens que, individualmente, mereceram uma enciclopédia só para si. Existem muitas biografias, livros volumosos que exaltam a vida e a obra de celebridades, mas a não ser que adquiram o status de um Napoleão, um Churchill ou um Darwin, são raros aqueles que tiveram a glória de ter quem escrevesse uma enciclopédia inteira a seu respeito.

Façanha maior é ter duas obras desse naipe. Mais ainda se, em vez de ser uma personalidade histórica, for um personagem de ficção. Pois o setentão Batman conseguiu esse feito. A mais recente enciclopédia sobre o herói é The Essential Batman Encyclopedia, que reúne, em quase 1,6 mil verbetes, todos os homens, mulheres, aliados, inimigos, locais, equipamentos e o que mais tiver passado pela "vida" do Homem-Morcego, desde o seu nascimento. Isso mesmo, porque o livro trata Batman como uma pessoa real, ou seja, não há menção a seus autores nem editores ou coisas do gênero. Datas e acontecimentos sempre são citados em relação à biografia do herói e não à cronologia de suas publicações.

A única estranheza é que, dependendo da situação, há um Batman da Terra-1, outro da Terra-2 e assim por diante, mas o autor, que deve ter tido um trabalho imenso, consegue se manter no eixo e não se perde e nem deixa o leitor perdido. Greenberger é, como se costuma dizer, um insider. Foi o criador da revista Comics Scene, especializada em quadrinhos, e trabalhou nas duas maiores editoras de super-heróis americanas: a Marvel e a DC. Nesta última foi editor-assistente de títulos como Batman e Detective Comics. Também participou da elaboração da DC Comics Encyclopedia, da editora Dorling-Kindersley.

A outra enciclopédia especializada no morcego é a The Encyclopedia of Comic Book Heroes - Volume 1 Batman, de Michael Fleisher, editada em 1976. Conforme narra o próprio Fleisher, tudo começou como uma brincadeira. Ele trabalhava como editor em uma nova coleção da conceituada Encyclopaedia Britannica quando, numa tarde mais tranquila, um colega lhe mostrou a biografia de Clark Kent que havia escrito, como se tratasse de uma pessoa real, no mesmo estilo formal das enciclopédias convencionais.

Fleisher gostou da ideia e quis ir mais além: resolveu escrever, de fato, uma enciclopédia de super-heróis. Conseguiu ter acesso ao arquivo da National Periodicals (antigo nome da DC Comics) e passou a anotar e classificar cada nome e cada aventura que lia. Após sete anos de árdua pesquisa, numa época em que não existiam micros, ele e sua colaboradora Janet Lincoln haviam folheado e consultado dez mil revistas e criado vinte mil fichas anotadas à mão.

Pelo volume de informações de que dispunha, Fleisher concebeu um projeto que previa, originalmente, a publicação de oito volumes, dos quais apenas três foram editados, o do Batman e outros dois dedicados ao Super-Homem e à Mulher-Maravilha. O rigor da pesquisa dos seus autores não deixava escapar nenhum detalhe e esses livros durante décadas foram referência obrigatória a todo colecionador de quadrinhos. Os três estiveram esgotados por vários anos, até serem reeditados em qualidade gráfica mais simples, em 2007.

Segundo Greenberger, que admite ter se inspirado no livro de Fleisher, havia dois motivos principais para se lançar uma nova enciclopédia sobre o Batman. O primeiro é que, embora os três livros de Fleisher tenham sido reeditados recentemente, nenhum foi atualizado. Como haviam se passado mais de 30 anos desde o seu lançamento, e as HQs de Batman continuaram sendo publicadas sem interrupção, a obra deixava de fora cerca de metade da história do personagem, incluindo episódios indispensáveis, como Crise das Infinitas Terras, que ele ajudou a editar, e a "saga" O Cavaleiro das Trevas, entre outros acontecimentos. A outra razão é que Fleisher anotara cada personagem de todas as aventuras do Batman publicadas até o fim dos anos 60, tornando seu livro exageradamente carregado de informações sem nenhuma importância.

Já Greenberger foi mais criterioso em sua pesquisa e, tendo um período muito maior a abranger, preferiu se concentrar nos principais títulos em que o herói aparecia e só selecionou personagens que haviam aparecido, no mínimo, duas vezes. Numa leitura rápida, pode-se constatar que o texto de Greenberger flui melhor. O estilo é mais agradável e sintético. Por exemplo, o verbete Batman, por razões óbvias, o mais extenso em ambas as obras, ocupa 16 páginas de seu livro enquanto que no de Fleisher são mais de 100. Isso se deve, em parte, ao tipo de classificação adotado por esse último, de aglutinar num só tópico tudo o que se referia diretamente ao personagem.

Além disso, Fleisher foi extremamente minucioso ao fazer constar de onde cada informação havia sido extraída, o que, se por um lado torna o trabalho mais sério e respeitável, implica numa quebra no ritmo de leitura. Greenberger, igualmente, teve a preocupação de indicar as revistas em que aparece a referência mencionada, mas de forma mais moderada e apenas quando isso se fazia necessário.

Comparando-se as duas obras também é possível notar o quanto alguns personagens ganharam força nos últimos tempos, enquanto outros perderam importância. O verbete relativo ao vilão Pinguim ocupa dez páginas na enciclopédia de Fleisher e, na mais recente, meras duas colunas. Bem pouco se comparado às duas páginas de Ra's Al Ghul, que só foi criado depois da pesquisa de Fleisher. O Coringa continua em alta: 16 páginas no livro antigo e cinco no de Greenberger.

O projeto gráfico da The Essential, até pelos recursos tecnológicos disponíveis é mais bem elaborado. Há um equilíbrio maior entre texto e imagens, com prioridade para os desenhos mais recentes. O livro também conta com dois encartes: um com Batman e seus aliados e outro com os vilões. Cada conjunto tem 16 páginas em papel couché brilhante e as ilustrações, impressas em cores, são em tamanho grande, algumas em página dupla.

Por essas razões, ainda que o volume 1 da The Encyclopedia of Comic Book Heroes tenha um incontestável papel na bibliografia sobre quadrinhos e tenha sido por anos o objeto de desejo de muitos apreciadores de quadrinhos, inclusive deste resenhista, não há como negar que a obra de Greenberger é um livro superior: mais atraente como produto e mais completo naquilo que realmente interessa. Como o próprio título diz, tudo o que é essencial a respeito de Batman pode ser encontrado ali.

Nenhum comentário: