10 de maio de 2009

Batman 70 anos: curiosidades

Influência do personagem extrapola limites e envolve situações inusitadas

INSPIRAÇÃO POLÍTICA
A popularidade de Batman na América Latina chegou ao folclore político. O ex-presidente do Equador Abdala Bucaram, que tomou posse em 1997 e ficou só seis meses no cargo, quando foi afastado pelo Congresso Nacional por insanidade mental, pulou de helicóptero fantasiado do homem-morcego durante a campanha presidencial. Auto-intitulado “o louco”, o então ex-prefeito de Guayaquil se apresenta em público com seu principal colaborador do partido PRE, Alfredo Adum (ex-prefeito de Guayas), como Batman e Robin. No Peru, o Movimiento Independiente Luis Banchero Rossi, também chamado de Partido da Juventude, se lançou durante as eleições de 1992 ao congresso nacional constituinte tendo o cavaleiro das trevas como mascote. Em Recife, Edmar de Oliveira, se vestiu de Batman em 1994 para pedir votos como candidato a deputado federal pelo PL.

MORCEGO TROPICALISTA
Embalados pelo movimento tropicalista e pela poesia concreta, os músicos baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso compuseram em 1968 a canção Batmacumba. A ideia, explicam eles, era combinar ícones culturais de dois planos, o universal e o brasileiro. Em meio a uma curiosa sequência de palavras e sílabas cujo texto evolui para formar um par de asas de morcego, tal qual um poema concreto, ficam evidentes dois vocábulos: Batman (o super-herói branco) e macumba (religião afro-brasileira). De um lado a indústria internacional da cultura de massa, do outro, o elemento nativo. A repetida palavra bat (morcego, em inglês) toma o lugar de bate, de batida.

CINTO DE UTILIDADES
Ele se tornou muito mais do que um adereço no visual do herói. Presente no imaginário popular, o cinto de utilidades (utility belt, no original em inglês) reúne amplo e exclusivo leque de ferramentas para o combate ao crime. Os principais são: batarangue – um bumerangue estilizado na forma de morcego –, o controle remoto do batmóvel e a batcorda. Isso sem contar lanternas, medicamentos, máscaras contra gases e até um minicilindro de oxigênio. O livro The Batman Handbook, do batmaníaco norte-americano Scott Beatty, até ensina como arranjar seu cinto de utilidades. Ele diz que a fivela deve ter sistema de auto-destruição e lista como essencial o kit de enfermagem, telefone celular, algemas e cabos com ganchos.

SANTA INTERJEIÇÃO!
O Robin da série de TV (1966-1968) exclamou 347 interjeições do tipo “bat-isso, bat-aquilo” nos 120 episódios das quatro temporadas, incluindo o longa-metragem. A tradução brasileira fez muitas adaptações divertidas, como “santo fumacê!”, “santas algemas perníferas!”, “santa xaropada” e “santos parentes desaparecidos”. Um dos momentos mais aguardados do programa era quando a dupla dinâmica escalava um prédio e uma janela se abria, e ali surgia uma celebridade que fazia um diálogo rápido com os heróis. O comediante Jerry Lewis inaugurou a galeria dos ‘famosos da janela’. Na série, Coringa encarnado por Cesar Romero se recusou a raspar o bigode que ostentou por décadas, alegando ser sua marca registrada.

CASO DE POLÍCIA
Assim como em Gotham City, o homem-morcego está na lista oficial de procurados pela Polícia no Rio de Janeiro. O ex-policial militar carioca Ricardo Teixeira Cruz, vulgo Batman, é o líder miliciano mais temido do país. Fugitivo desde outubro da penitenciária de Bangu 8, o líder de uma quadrilha chamada de Liga da Justiça, que atua na zona oeste da capital fluminense, é acusado de estar por trás da série de atentados desencadeada pela guerra entre grupos paramilitares. Em resposta, deixa recados à sociedade por meio de vídeos postados no site Youtube, nos quais se diz injustiçado pela mídia. Mas admite ter armas e controlar a máfia de transportes alternativos de vans na sua região. Ele fugiu da cadeia pela porta da frente, com direito a filmagem. Curiosamente, um dos criminosos cariocas que estavam foragidos e foram recentemente presos é Marcos Santana dos Santos, o Coringa, ex-gerente do tráfico de drogas no Complexo do Alemão.

Fonte: Sílvio Ribas, artigo escrito para www.correiobraziliense.com.br

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