24 de fevereiro de 2009

Cavaleiro das Trevas made in Brazil

Batman já esteve no Rio, leia-se uma conhecida história publicada aqui nos anos 90. Mas também foi na Cidade Maravilhosa que surgiu e vingou a ideia de se criar um super-herói brasileiro soturno e vingativo, nitidamente inspirado no Cavaleiro das Trevas. Jou Ventania é o resultado de uma longa luta de Lincoln Nery, um grande batmaníaco carioca. Meu amigo Linc é polivalente nas artes, do palco ao vídeo. Agora chega às nossas mãos o gibi número um de seu personagem mascarado, já famoso pelas incursões em outras mídias. Aplausos para a iniciativa e pela coragem de enfrentar as restrições do mercado editorial. Sucesso e vida longa ao Jou, uma criatura da noite que gela os corações dos criminosos de Vencesleng e cuja identidade secreta se chama Augusto Oliveira. O cruzado made in Brazil também tem um pouco de Spawn e Asa Noturna, na biografia e no visual. Não vejo a hora de vê-lo enfrentando seu arquiinimigo, o Enigma. A HQ tem espaço para anunciantes, pode ser encomendada pela internet e tem distribuição nacional. Prestigiem!


FICHA TÉCNICA - JOU VENTANIA #01
28 páginas preto e branco
Capa colorida de Cleiber Viveira
R$ 3 (correio incluso)
História: Gritos na Noite (Apresentando a origem do Jou Ventania). Por Lincoln Nery
Publicação: NG Brasil Publicidade
SAIBA MAIS: ngbrasil@gmail.com



ENTREVISTA AO FANZINE AÇÃO E JUVENTUDE

Quando começou a se interesar por quadrinhos?
Eu gosto de heróis desde que me entendo por gente. Mas, comecei a desenhar e me tornar fã mesmo, em 1989, quando tinha seis anos, ao ver o filme do Batman.

E qual o primeiro personagem que você criou?
Jou Ventania, na mesma época. Porém, ele era muito diferente do que é hoje. Até por que eu não sabia desenhar naquela época. O Jou era um sujeito de capa e boné.

E como surgiu a idéia pra criar os sites Batman a Trajetória e Brasil Comics?
Ah! Quando entrei na internet pela primeira vez, logo fui fazer buscas sobre o Batman, e vi que não havia nenhum site completo, sempre faltavam muitas informações. Então resolvi criar o meu próprio site. Foram meses criando e pensando no formato. Depois de resolvido, juntei meus conhecimentos pessoais com alguns textos espalhados pelos bat-sites da net, e formei o Batman A Trajetória. E sempre fui adicionando novos links... Já o Brasil Comics, veio da minha pergunta de criança; "Será que não existem heróis brasileiros?" Quando cresci, descobri que existiam, e eu queria que as pessoas soubessem disso. Então fiz algo semelhante, com o outro site, e montei o BR Comics.

E você acha que eles tem alcançado seus objetivos?
O do Batman com certeza, ele é sucesso no mudo todo, recebo até mensagens de fora. Já o Brasil Comics é meio complicado...Muitos internautas mandam os personagens pra eu adicionar na lista, mas os quadrinistas (tirando alguns) não ajudam muito. Logo eles que tem mais informações para dar, não colaboram para eles mesmos, ignoram o site, e me tratam como se eu fosse um simples fã. Às vezes me irrito tanto com isso que penso em tirar do ar. Por exemplo, os grandes sites de quadrinhos nunca mencionam o Brasil Comics, e nem o Batman A Trajetória. Falar de mim ou dos meus personagens então... Mas, tudo bem.

Você já fez curso de desenho?
Sim. Fiz dois. Um de cenografia (que não terminei), e um de histórias em quadrinhos que terminei com notas altissimas.

Você também é ator. Pode falar sobre sua carreira?
Não há muito o que falar. Eu gosto, mas é meio cansativo. Os momentos altos pra mim, foram quando a esquete que participei "Passarinho que Acompanha João de Barro vira Ajudante de Pedreiro", ganhou o terceiro lugar em um festival no Rio de Janeiro, onde participaram algumas companhias teatrais muito boas. E quando vivi o Batman em "A Piada Mortal"

E como foi ser o Batman?
Um sonho realizado. Pra filmar o curta foi tranquilo. Mas, para encenar no Amostra Grátis, foi muito dificil. Eu fiquei muito nervoso. Até porque muita gente não entendeu o espirito da coisa...

Como assim?
Muita gente só vê o Batman como um personagem unidimensional dos tempos antigos, um cara numa fantasia de morcego que anda com um moleque e tal. Não conseguiram entender o espirito da coisa. è engraçado, quem faz teatro tem muito contato com outras artes, como a música, a TV e o cinema, eu achava que o pessoal também sabia algo que Hqs, mas me enganei profundamente.

O filme fez sucesso?
O filme roda por aí em circuitos fechados, festivais... O pessoal gosta muito. É um publico mais selecionado

E o que você diz sobre o mercado de HQs no Brasil? Por que o Brasil não tem heróis de sucesso?
Muitos motivos. A concorrência americana e japonesa é desleal. mas, não é só isso. Os quadrinistas são muito fechados, eles não abrem o círculo, nao se unem...e acabam vencidos. Se existisse uma editora como a Marvel ou a DC, que reunisse todos os quadrinistas e seus personagens, que investisse pra que eles alcançassem novas mídias, como cinema, TV, brinquedos, acho que a coisa seria diferente. Mas, eles só criticam uns aos outros, e tudo continua igual. E quando alguem aparece com uma nova iniciativa, eles nem ligam. No máximo, só fazem algo pelo interesse próprio e pronto. Dane-se os outros. Teve artista que entrou em contato comigo pra colocar o personagem na lista, e depois que eu coloquei, fui tentar me comunicar pra trocar ideias, e o cara nunca mais respondeu.

Quais seus personagens preferidos dentro e fora do universo que você criou?
Não dá nem pra fazer suspense... É claro que é o Batman. dentro do meu universo, também é óbvio que é o Jou Ventania. E como personagem de humor pra mim é o Jucal!

Quais são seus planos agora?
Vários. Publicar o meu livro Um Mundo Preto e Branco, mas tá dificil arrumar uma editora, esse círculo é muito fechado. Também publicar meus quadrinhos em nível nacional, e participar de filmes... Ah! Fazer o filme do Jou Ventania

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