30 de maio de 2008

Entrevista sobre lançamento do livro

TRÊS PERGUNTAS

Sua obra pretende desvendar o morcego, despí-lo de toda a fantasia que há 60 anos o torna popular?
O livro trata do morcego, dos homens e mulheres por trás do símbolo e dos efeitos dessa popularidade toda. Ao sobrevoar o universo Batman, pretendi mostra o todo pelas partes, as mais inusitadas que fossem. É coisa de fã, que dá valor a detalhes mínimos e não deixar escapar nada que se relacione com o ídolo. Assim, a fantasia também faz parte do mito. O mesmo encantamento que leva garotos a preferirem se vestir de Batman no matinê de Carnaval ao invés de pirata é aquele que leva um turista acidental a enxergar coisas do homem-morcego em certas regiões do planeta, especificamente na Turquia e Austrália.

A que tipos de fontes você recorreu para reunir tanta informação, além de, logicamente, os quadrinhos?
Todas as possíveis. Os três mil gibis guardados em caixas plásticas em Curvelo (MG) ainda têm muito a dizer nas entrelinhas, nas seções de cartas e nos recados de editores. Mas também fui juntando recortes de jornais ao longo da vida, além de VHS com entrevistas e filmes, anotações diversas e as cartas de um intercâmbio postal com amigos do Rio, São Paulo e Paraná. A internet e o DVD vieram depois, como forma de conferir dados e preencher lacunas denunciadas por longas listas que fiz: atores, roteiristas, desenhistas, dubladores, títulos de revistas, cronologia e curiosidades na imprensa e na vida cotidiana. Tinha alguns livros sobre Batman e importei outros que considero essenciais. O fato é que essa pesquisa nunca acabará e as melhores fontes são os fãs.

Como fã de Batman, o que mais fascina na construção do personagem de Bruce Wayne?
Tenho dito que pode até parecer auto-ajuda mas, para mim, Batman é o grande modelo da obstinação. Não se conhece na mitologia humana um personagem mais determinado nas suas crenças do que ele. A cidade corrompida gerou seu próprio remédio: um homem sem poderes alienígenas ou mágicos que se transforma em mito graças exclusivamente à força de vontade. Querer é poder. Treinou habilidades diversas, ganhou perfeição física e investiu em toda a tecnologia que o dinheiro pode comprar. O outro aspecto que torna o Cavaleiro das Trevas universal e fascinante é a sua biografia trágica. Ele se moldou a partir de uma pesada dor que o lançou nas sombras e dessas mesmas trevas ele forjou seu heroísmo. Em outras palavras: Batman conseguiu fazer de seu transtorno mental e caos espiritual um empreendimento baseado na esperança e na solidariedade. Nada mais humano do que essa inconformidade com o mundo. Vida longa ao morcego!


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